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sábado, 5 de junho de 2010

Taqsim

Taqsim significa "improviso" em árabe e é o momento da música árabe em que um instrumento vai realizar um solo, uma improvisação melódica, que pode ter um ritmo por trás ou não. O tasqim não acompanha a melodia da música e nem sempre o que é lento é taqsim. Os instrumentos mais utilizados são a nay, alaúde, kanoon e o acordeon. O teclado e o rabab também podem aparecer solando.

A nay é uma flauta de bambu e o kanoon é um instrumento de corda, semelhante a uma cítara, em que fica apoiado sobre o colo do músico, que o dedilha com as duas mãos. O acordeon é um instrumento francês e não se sabe como chegou ao Egito e se tornou seu instrumento mais importante dentro da música baladi. O violino (que substituiu o rabab no século XX) e o saxofone também são utilizados nas músicas mais contemporâneas. O alaúde é considerado o primeiro instrumento de cordas do mundo.

A voz também é um instrumento que pode realizar um solo. O maual é a introdução vocal que o árabe faz; descende de um canto religioso, segundo alguns estudiosos. São momentos em que o cantor é dominado por seus sentimentos, geralmente relatando histórias de amor ou desilusões.

A estrutura de uma música do tipo taqsim baladi é progressiva, ou seja, ela começa bem lenta (baladi kabir), passa a ser cadenciada com determinado ritmo (el tet = sentado) e finaliza com um trecho mais acelerado (ingerara). Se utiliza muito pouco o tronco e raramente as mãos. Perguntas e respostas são comuns (al wadi) e todo o corpo pode ser usado, com pequenos deslocamentos. Apesar de sua origem ser turca, os egípcios o adotaram fortemente. Logo, as bailarinas o realizam utilizando movimentos pequenos e nunca são bruscos, apenas para acentos.

O músico Hossam Ramzy faz uma analogia para que um taqsim baladi seja bem realizado: é só pensar em uma moça do campo que passa a viver na cidade e em determinada festa começa a dançar tímida e aos poucos vai se soltando até se “descabelar”.


No taqsim, a bailarina precisa se deixar dominar pela música, em que os outros instrumentos, sem ser o que está solando, ficam bastante, quando não totalmente, reduzidos. Os movimentos ondulatórios e sinuosos são os mais intuitivos no taqsim (com exceção do kanoon e do alaúde que sugerem tremidos e shimies) e a grande dificuldade de se realizar um belo momento taqsim é fazer as emendas parecerem fluidas, naturais e os movimentos pouco repetitivos, associados à uma expressão adequada. O taqsim é uma das performances mais difíceis dentro da Dança do Ventre, porém um dos mais emocionantes quando bem realizados.

Eu me identifico muito com músicas com momentos taqsim, quando não inteiros. Aqui, é uma das minhas primeiras tentativas de se dançar uma música com essa pegada mais forte:


Fontes: Anotações pessoais de aulas com Luciana Midlej, Maira Magno; Ventroteca "Baladi" da Munira Magharib.

Bauce kabira,
Hanna Aisha

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